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As Clusiaceae Lindl. (Guttiferae Juss) s.s., Calophyllaceae J. Agardh e Hypericaceae Juss. no Parque Nacional do Viruá



Parque Nacional do Viruá

O Parque Nacional do Viruá (PNV), localizado no centro-sul de Roraima, município de Caracaraí (1º28'N, 61ºW), é mantido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) é uma importante unidade de conservação para o Estado e para a Amazônia (Figura 1).

Figura 1. Localização do Parque Nacional do Viruá

Figura 1. Localização do Parque Nacional do Viruá

Além de abrigar uma grande diversidade de ambientes e tipos de vegetação, o Parque está numa área indicada por Hopkins (2007) como um lugar onde a biodiversidade pode ser alta, mas que ainda existem poucas coletas botânicas, resultando em uma grande lacuna de conhecimento. O PNV vem sendo alvo de vários estudos ecológicos e taxonômicos, mas ainda necessita de informações básicas sobre a composição florística nos diversos ambientes.

O Parque apresenta uma grande diversidade de ambientes, formando o que é conhecido como um mosaico de vegetações (Schaefer et al. 2009). Esse mosaico é formado em sua maior parte pelo ecossistema de campinaranas, que é dividido em três subgrupos: florestada, arborizada e gramíneo-lenhosa. Também ocorrem formações de floresta ombrófila densa e aberta de terra firme, floresta ombrófila densa aluvial (ao longo dos rios), floresta ombrófila densa e aberta submontana nas serras baixas, buritizais e campos graminosos, segundo a terminologia de Veloso et al. (1991) (Figura 3).

Figura 2. Mapa de limites do PNV

Figura 2. Mapa de Limites do PNV

Figura 3. Fisionomias de vegetação do PNV

Figura 3. Fisionomias de Vegetação do PNV


As Clusiaceae Lindl. (Guttiferae Juss.) s.s., Calophyllaceae J. Agardh e Hypericaceae Juss.

Tradicionalmente, as "Clusiaceae s.l.", também conhecidas como Guttiferae Juss., incluíam as famílias Hypericaceae Juss. e Calophyllaceae J. Agardh. Contudo, estudos filogenéticos recentes revelaram que as "Clusiaceae s.l.", consideradas paralafiléticas, deveriam ser desmembradas em três famílias distintas, monofiléticas, que pudessem ser também reconhecidas através de caracteres morfológicos (Stevens 2001 em diante; Wurdack & Davis 2009; Ruhfel et al. 2011).

Na sua circunscrição atual, as Clusiaceae s.s. estão distribuídas pantropicalmente e incluem 14 gêneros e cerca de 600 espécies. As Calophyllaceae incluem 13 gêneros e cerca de 460 espécies, igualmente de distribuição pantropical; enquanto as Hypericaceae incluem 9 gêneros e cerca de 560 espécies que ocorrem nos trópicos ou em climas temperados (Stevens 2001 em diante).

De acordo com Bittrich 2010, as "Clusiaceae s.l." ocorrem em todas as regiões do Brasil (Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul), totalizando 21 gêneros e 257 espécies. Na Amazônia ocorrem 20 gêneros e 155 espécies, e no estado de Roraima a família está representada, nos herbários, por 11 gêneros e 35 espécies.

No Brasil, as Clusiaceae s.s. estão representadas por 13 gêneros e 174 espécies; na Amazônia por 12 gêneros e 99 espécies; e em Roraima por 6 gêneros e 24 espécies. As Calophyllaceae incluem 6 gêneros e 33 espécies no Brasil; na Amazônia são 6 gêneros e 33 espécies; e em Roraima 3 gêneros e 6 espécies. As Hypericaceae incluem 2 gêneros e 50 espécies no Brasil; 2 gêneros e 23 espécies na Amazônia; e 2 gêneros e 5 espécies em Roraima.

As "Clusiaceae s.l." variam muito morfologica e ecologicamente, podendo ser árvores de grande porte, arbustos, arvoretas ou hemi-epífitas e a grande diversidade de espécies está nos trópicos (Ruhfel et al. 2011).

Várias espécies possuem um alto valor econômico. Por exemplo, Calophyllum brasiliense Cambess., conhecido como Jacareúba ou Guanandi, é considerado a primeira madeira-de-lei no Brasil (Souza & Lorenzi 2008). A espécie é largamente utilizada em construções, já que sua madeira é muito resistente, e em reflorestamento (Ribeiro et al. 1999; Souza & Lorenzi 2008). Espécies de Caraipa são utilizadas para construções e fabricação de ferramentas (Kubitzki 1978).

O látex de várias espécies, por possuir propriedades antivirais e bactericidas, é utilizado amplamente pelas comunidades indígenas e ribeirinhas. Na medicina popular, é utilizado para tratar ferimentos, dor de dente, dores em geral, febre ou como diurético (Milliken et al. 1992). O látex do tronco de Caraipa grandifolia Mart., conhecido como "óleo de tamakoaré", é utilizado por indígenas contra doenças de pele, reumatismo, úlceras da córnea e até mesmo para matar piolhos (Kubitzki 1978). O látex de Symphonia globulifera L.f. também é utilizado como fortificante, como laxante para mulheres grávidas ou até mesmo como contraceptivo (Milliken et al. 1992). Além disso, o látex de Clusia insignis Mart. é utilizado em rituais de caça (Milliken et al. 1992) e o látex resinífero de espécies de Moronobea, Platonia e Symphonia para fixar flechas, calafetar barcos, fazer máscaras, decorar e pintar a pele e para queimar tochas para iluminação (Milliken et al. 1992; Steyermark et al. 1998).

Platonia insignis Mart. (bacuri), Garcinia mangostana L. (mangostão), Garcinia gardneriana (Planch. & Triana) Zappi (bacupari) e Mammea americana L. (abricó-do-pará) são cultivadas por seus frutos comestíveis (Ribeiro et al. 1999; Souza & Lorenzi 2008).

O presente trabalho tem por objetivo realizar um estudo taxonômico da família "Clusiaceae s.l." no PNV para contribuir com um melhor conhecimento da família e, assim, subsidiar estudos ecológicos e projetos conservacionistas em outras áreas próximas. Nesse estudo, são fornecidos chaves de identificação dicotômica para as espécies da família, descrições taxonômicas, comentários gerais e distribuição geográfica.


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